domingo, setembro 10, 2006

Talvez.

Talvez;

Talvez,

terça-feira, agosto 08, 2006

Ele fugiu novamente, fugiu de mim:
Quero e não quero; quero, mas não quero; não quero querer: desejo-o, sim, com toda paixão; nada mais que um significante vazio acordo no espelho do banheiro e tenho medo; medo de dentro, do que posso não encontrar; o que pode acontecer se não encontrar nada aqui dentro? Talvez ele fuja novamente, talvez não se importe. Não tenho certeza, não sei.

Crucial: O que pode acontecer?

Marj, Marj... I know how to go through the motions - but I'm hollow, a fraud. I'm only half a man!
John Constantine

segunda-feira, agosto 07, 2006

Onda e onde. No meu olho esquerdo, eu vejo o mar e onde ele acaba.

Direito: eu vejo um lugar onde não sei: queria escrever onda, acabou saindo onde; talvez eu quisesse me afogar, mas em outro lugar. Talvez um afogamento metafórico, desses que a gente vê na tevê; desses de mentira, que dá pra voltar atrás, que dá pra desmentir; dessas mortes que provam que a vida tem porquês e causas e quandos e ondes e ondas.

No meu olho esquerdo, observo o mar e espero ele entrar dentro de si mesmo novamente. A água está morna.

domingo, agosto 06, 2006

Caros presidentes dos países amigos,

Venho por meios desta apresentar-lhes aquela de ontem; aquela, que eu esqueci o nome, aquela! Vocês sabem qual é.

Último parágrafo.

quarta-feira, julho 05, 2006

Nostalgia

sa:u.da.de sf. Lembrança nostálgica de pessoas ou coisas distantes e extintas.

nos.tal.gi.a sf. 1. Saudade da pátria. 2. P. ext. Saudade.

sa:u.da.de sf. Lembrança nostálgica de pessoas ou coisas distantes e extintas.

terça-feira, julho 04, 2006

Lembranças de mil novecentos e sessenta e oito.

- Eu estava em Praga, quando de 68. Tudo aconteceu muito rápido, lembro pouco: derrubaram meu cigarro, as estruturas não desciam às ruas e não havia um táxi na rua. Tanques aos montes, mas nem sei se esta certeza é verdade. Não precisa ser para o que eu desejo criar, nem precisa de fazer sentido daqui da onde eu estou olhando. Como os começos do Rosa.

...Fazia muito frio, e eu estava sem cueca. Ninguém usava cueca. Eu havia esquecido a minha dentro da gaveta. Talvez por isso nenhum táxi apareceu. E o tal tanque se imiscuiu tão extraordinariamente no meu caminho.

(Ah, e o meu gato. Está tudo bem com ele: estava dormindo em cima da cama pela manhã, e no meu colo de tardezinha.)

sábado, julho 01, 2006

Quando. Quando não. Quando tem tempo, eu quero sair do tempo, quero levar um susto: quero pegar sarna, passar remédio barato, passar sabão côco e ficar boa como antes eu ficava boa. Antes doença. Não, antes também tem tempo, coisa que eu já disse que não quero. Também não quero eu. Bando de armadilhas. Eu quero dizer sem fascismo. Mas não quero que seja eu a dizer. Talvez o outro, quem sabe...

Mas. Porém. Inconcebível. Um barômetro pra medir o grau de liberdade do meu ouvido. Depois - depois tem tempo, é que não resisti - eu... Deixa pra lá.

Não tenho a menor intenção de fazer sentido por ora. Nem de jogar bonito. Quero chutar a gol.

quinta-feira, junho 29, 2006

Nos EUA.

E o gato subia no colo dela, mas tinha que terminar aquela matéria pra ontem. E as gotas de água batiam na janela. Queremos entrar!, diziam. Não podem! I have to finish this first! É que ela morava nos Estados Unidos já faziam três anos, e havia descoberto que as gotas de lá - inclusive as da pia - só entendiam os english da vida.

O gato era brasileiro. Ela, de Sorocaba, que eu nem sei onde fica.

A matéria não deu pra me ver, nem ler: não me deixou entrar.

sexta-feira, maio 19, 2006

Tinho que falar com vocês, porque não agüentei ficar longe daqui, tão bom aqui, né? Se lembram de quando a gente chorava, sem saber o porquê, mas depois tudo ficava bem a gente ia lá e fazia de novo? Só pra ver o que ia acontecer? Lembram? Bons tempos, e eu nunca quis que eles acabasse,, por isso que eu voltei. Obrigada.

Não, não, não fui tão longe assim. Só tinha que sair, conversar com o povo, entender o que se passa no mundo. Acabei sem saber mais, mas voltei de outro jeito, com menos cabeça e mais olhares. Tô bem empírica agora.

É só isso mesmo, por ora, tá bom? Pode avisar pras outras - ou eu mesmo aviso, se tiver tempo e coragem - que eu tô bem e que eu acho que sei o que fazer da minha vida. Um beijo.

sexta-feira, abril 14, 2006

Fábula sem pé nem cabeça.

Há muito tempo, quando ainda havia pessoas que sabiam das coisas, num reino distante, morava, sozinha, a menina sem gratidão. Todo dia, alguém vinha, e deixava comida na porta da torre, e ela sabia que sempre que abrisse a porta àquela hora, iria encontrar um prato bem gostoso: macarrão, pizzas, bananas, maçãs - às vezes, tudo misturado. E acreditava que tudo aquilo era só pra ela, que era mágica.

Mas era o jovem mensageiro quem sempre pagava o pato. Ou prato: não ganhava gorjeta, passava um tempão esperando alguém vir pegar a entrega, e nunca ninguém chegava. Ia embora, mas no outro dia, o prato havia sumido e lá ia ele explicar pro cozinheiro que alguém roubara o prato. Mas como você me perde um prato cheio de tanta comida, rapaz?! Mas não há ninguém naquela torre, senhor! Nunca vi ninguém lá, nem pela janela, nem à porta! E o senhor ainda me paga pouco e eu tenho que andar dez quilômetros todo dia, pra deixar comida pra ninguém! A culpa não é minha!

Nunca mais se ouviu falar do jovem mensageiro, depois desta discussão. E a menina do alto da torre amaldiçoou deus e o mundo. Morreu de inanição, sozinha, com os ratos, do alto daquela torre escura, numa noite de chuva parca.

segunda-feira, abril 10, 2006

O cadernim.

Foi atrás daqueles caderninhos de anotações, que o último tinha acabado, só algumas folhinhas no final. Tinha que ser daqueles peuqnininhos, pocket, de poder levar mesmo no bolso, pra sacar na hora que a Hora se cristalizar em galhos, em olhares, em ruas. Os caderninhos são pra agarrar o rastro de poeira do instante.

Os instantes são os nenúfares da Alice. Pra você que não sabe o que é um nenúfar, é parecido, quase igual, com uma vitória régia. Os instantes são a falta, são a saudade. Eu quero o meu instante, cadê? Vala me deus, ele parece sabonete com água, e caiu justo em cima do boeiro.

O instante são os outros. O instante é sujo, é opaco e transparente. Instante não é signo, signo é o que agente descobriu pra tentar chegar no instante, mas o instante é sempre depois. E quando cheguei na loja, nem tinha o cardeninho, e eu tive que ir embora só sentido, sem palavrar.

quinta-feira, abril 06, 2006

Vento vindo de cima.

O céu lá em cima e eu todo mundo em baixo, sem daber da sua história, nem conhecer quantas lágrimas foram fabricadas. Tão artificialmente algumas vezes, mas teve vezes necessárias. Lágrimas são sempre necessárias: nos momentos certos: se for toda hora, elas irão o poder poderosíssimo que possuem since the beginning of time.

Dizia que o céu lá do alto nos observava aqui embaixo; e enquanto digo isso, observo um olho azul, na borda da praia, esperando alguém parar para me ajudar - onde estão os bons amaritanos? - mas ou não tem ninguém na praia, e somos só nós dois, ou as pessoas estão desviando as vidas para bem longe daqui. Talvez seja culpa do céu, que não pára de nos encarar.

Quero ir para bem longe e deixar esse cadáver de olhos azuis para o mar engolir.

quarta-feira, abril 05, 2006

Cinema.

Não havia nada planejado. ele nem esperava que ela dissesse sim, de tão tímido que bloqueava a luz do sol. Ela, cansada dos avanços dos chatos fortões, um carinha daquele, magrinho, não era bonito, mas também não era feio. Contudo, o filme era bom, e pelo menos ela não iria pagar, porque era daquele tipo, ela sabia. Dito e feito, nem pagou, e quase que ela testou até quando ele iria, fingindo esquecer a carteirinha de estudante. Mas era maldade demais. Vejamos o que vai acontecer lá dentro, mas isso só depois.

Antes, eu quero falar dela, de jeito meigo, arrumada, expansiva, conversa com todo mundo, não estuda na hora do recreio: recreio é recreio, não é intervalo. Tem várias circundantes, que circundam ela no recreio, mas só no recreio; na hora da aula, ela é daquelas que sentam na frente, e fica discutindo filosofia de milésima com o professor que não tem coragem de admitir que não sabe a matéria. Ela é das chatas. ele é um cdf-nerd-de-quase-fundão.

Dentro do cinema, sentaram perto da saída, que era pra ela poder ir logo simbora, se o filme ficasse chato. Ele não ia fazer nada, sabia, então isso tava tranqüilo. Poltrona macia. Ela não colocava os pés na poltrona da frente, é falta de educação. Ele não tava nem aí, mas tirava o sapato, que não tinha chulé. Deve ser aquele spray. O filme não começou, e tava naquele momento que só quem entra logo na sessão que acabaou de acabar conhece; quando não tem ninguém de antes e só depois que vão chegar os parcos outros. Ele olhou pra ela com pouco mais que um estar sentado ao lado dela. Aquela ali já era a dádiva-mor. O problema é que ele nunca se contentara com pouco, e roubou um beijo que ela nunca havia esperado, nem em um milhão de anos. Chegou o resto do povo e a história roubada acabou.

segunda-feira, março 27, 2006

Não vou publicar porra nenhuma hoje.

Se alguém me lê, desculpe o autor, fique com raiva dele, esqueça dele, afinal é um de mais tantos blogs.

Mas eu ainda rogo, do fundo da minha parca esperança, que tenha um pouco de paciência; que se alguém visitou este site algum dia de sua miserável e péssima vida que entenda que quando escrever se torna um fardo, deve-se jogar as palavras de lado por algum tempo, até que elas decidam voltar a nós. Jogo de lado minhas palavras, então, na intento de que elas não me abandonem, pouquíssimas que já são. Obrigado e boa-noite.

sábado, março 25, 2006

Dois menos dois.

Pronto? Pronto. Quando eu contar até três, tá certo? Tá certo. Tá...

Eles haviam se encontrado faz pouco tempo, na praça. Foi um só telefonema, um objetivo. Duas pessoas que não aguentavam mais. O que perderia o mundo, senão pouco menos que dois pedaços de carne, ocupadores de espaço ambulantes? Aquela era a melhor saída.

Um. Dois. Tr...

sexta-feira, março 24, 2006

Sede.

E queria porque queria. Mais do que todos os chocolates do mundo, ele queria um pouquinho, só um tiquinho de nada, mais do que uma tragada num Marlboro, mais do que um Charge, mais do que um Smash, mais do que o álbum com a adaptação do Hamlet. Mais do que tudo isso, queria.

E se lembrou daquele pergunta - uma das perguntas certas: e, por acaso, eu quero o que desejo? Leu numa capa de livro, enquanto passeava pelo supermercado Hiper, que fica do lado de um trem que corre desde Fortaleza e vai desaguar em Guaramiranga. Lá em Guaramiranga, tinha memórias de lá, sua mãe nascera lá, ele tinha raízes ainda fortes com a única rua da cidade, com a minipraça, com as casas de muros rosas, azuis, brancos, azuis e brancos; e as serras de fundo, pintadas, eram bem maiores e bem mais verdes do que via quando descia a rua da sua casa, voltando do trabalho.

No trabalho, também queria. Principalmente no trabalho, quando todos estavam digitando, ou escrevendo ou mandando alguém fazer alguma coisa ou fofocando ou bebendo água e fofocando ou pensando em mandar a loira editora tomar no maldito cu. No trabalho, ele queria: desejava.

quinta-feira, março 23, 2006

Um conto.

Eu não tenho nem vontade de escrever um conto hoje, nem inspiração, nem quero trabalhar alguma estória já contada; não tenho uma na minha caixinha de memórias, não tenho coisas aproveitáveis no meu cadernim. E quando tudo isso acontece, e que acontece é um conto tropeçando na corcunda de si mesmo, e cair gemendo - não de dor - mas das palavras mal-postas pela má vontade do palavrador.

Então quero registrar minhas mais falsas apologias a este texto tão singelo que deveria mais é calar a boca e dar graças aos céus que foi escrito! Opa, mas que bobagem eu digo: é a raiva, é a impaciência; eu que tenho que dizer obrigado ao universo por ter me escolhido para tentar colar as coisas nas palavras, mesmo aqui não sendo poesia, mesmo eu não sendo de Portugal, nem tendo bigodinho, nem minha namorada chamar Ofélia.

E não é que consegui chegar ao último paragrafinho? Às vezes, lendo algo por aqui, fico com vergonha de ter problemas em chegar ao mísero terceiro parágrafo; às vezes, quando observo algumas destas marmotas, fico pensando onde está a estória, cadê o conflito, a reflexão psicológica, e não encontro, ou talvez não saiba procurar. Mas o meu trabalho não é ficar escavando sentidos, como disse a sra. Mirella muito bem: "não vejo muito sentido em fazer sentido."

quarta-feira, março 22, 2006

Hoje não.

Chove, do lado de minha porta. Os vitrais amarelos tentam imitar o sol envergonhado, mas o transparente cede seu lugar ao cinzento de fora. Não há, faz bastante tempo, barulho de carros pela rua em frente, ou cachorros latindo para estranhos, nem fogões sendo ligados, nem campainhas soadas. Nem uma voz que não seja a do trovão lá fora, cheio, grosso; tolerante conosco, não se mostra por inteiro: filtra-se a si mesmo com uma surdez que toda chuva carrega consigo. Tantos pingos à tarde são prenúncio de noite fria, enclausurada.

A luz de meu quarto, amarelada, meu dicionário de espanhol de capa amarela, tudo são ironias para comigo, e minha rinite, essa dama angustiante, revela sua presença outra vez. Os morcegos que normalmente vejo batendo com as cabeças em minha janela devem estar juntos, entre as asas uns dos outros, esperando que este cinza barulhento vá embora, que o silêncio retorne, que os ratos saiam de suas tocas e que as baratas possam rastejar sem o perigo da corrente da calçada arrastá-las.

Hoje é um dia triste, de chuva, um dia quase preto, quase branco, um dia de dúvidas, duvidoso de si mesmo, se deveria ter nascido junto com o sol; se não seria melhor deixá-lo brilhar sozinho, junto com a escuridão da noite. Talvez a lua gostasse da companhia, mas que sei eu dos sentimentos dos astros? Não me atrevo à especulações. Hoje não.

terça-feira, março 21, 2006

A promessa que não se cumpriu.

Ela voltava da feira como Ulisses: alas, carros, rodas enferrujadas, luzes, paredes amarelas, nescafé, margarina, o que é ricota? ops, desculpe, não te vi por aí, olá como vai, tudo bem, não queria esse, era o vermelho que eu tava atrás, ó, moça, desculpa, dá pra tu tirar da notinha, por favor? Vixe, tenho que chamar o gerente, senhora, só um minutim.

Voltava satisfeitíssima pra casa, pouco mais do que feliz, acima do chão, contente consigo mesma. Mas hoje era noite de lua-cheia, ela era de peixes, e o sinal fechou. O carro morreu. Bastou isso, foi um gatilho, e a bala atravesara seus olhos miúdos e verde-amarelados: puta que porra! Carro filho da puta, deu no prego, num pode! Anda, cão! Agora, no meio da rua, Ave Maria, Oh, meu Deus, me ajuda. Oh, Senhor, hoje num podia, hoje num podia de jeito nenhum.

Nervosamente ajeitava os cabelos, enquanto os carros de trás, mais impacientes do que apressados, um pouquinho dos dois, vrumavam, um por dois, cada um pela janela dela, que já tinha feito todo mercantil do mês, custara tudo cento e vinte, tinha até comprado passatempo e prometera que hoje ela não ia chorar. Quanta ambição de sobreviver nesse mundo que não ajuda, meu Deus!

segunda-feira, março 20, 2006

Love is all you need.

- Isn't it true that very deep down inside... you know you need much more than your daddy can give you?
- ... All you need is love.

i am sam

Quando ele ficava triste, andava de ponta de pés, pra não acordar o pai. Tão pequenininho ele; filho de divorciados, e a mãe havia mudado pra Europa, isso já fazia dois meses; o marido novo era empresário e quase todo mês ele voava pra visitar. No mês de julho, ele pra ficar uma semanacom a família de lá. Na França.

Enquanto isso, o papai ficava sozinho aqui no Brasil. Talvez fosse visitar a mãe doente na antiga casa perto da Igreja Redonda, ou então ia sair mais os amigos, ir pro bar, assistir filme. Gostava de filmes complicados, que o filho nem a mulher nunca entenderam. Era cheio de DVDs na casa, Woody Allen, tinha do Buñuel, tinha do Bergman, Fernando Meireles. Gostava também do Fellini e todos com o Dustin Hoffman.

Mas, na maior parte do tempo, tudo era muito triste: durante aquele mês de solidão, ele se sentia jogado no lixo. Deve estar sorrindo e brincando em algum lugar que eu nunca vou conseguir visitar. A mãe - o novo marido dela - podia dar tantas coisas pra ele, podia oferecer tanto, mas tanto mais do que ele jamais, com salário de jornalista, poderia. Ela poderia dar tanto pra ele, talvez até amor, algum dia.